Parar de Pensar






ESTÁTUAS


Quem agora move os meus braços?
Quem?! (ameaça suavemente)
...agora me faz escrever
nas paredes frias dessa prisão
Quem diz em falsete à janela:
“Seu José... a porta. Posso entrar?”
Por favor, entre; e sente-se
ao lado das minhas estatuetas de barro
das minhas Vênus de Millo quebradas

Quantos cravos ela pegará em minhas costas desta vez?
Quantas rosas em meu peito?



TEMPO


É melhor que me esqueça
que não venhas mais me trazer
as chaves do meu mundo
que é mesmo sem cor

É melhor que me esqueça
que reze
para que talvez eu me perca
pedalando minha bicicleta
pelas ruas do bairro

É melhor não ler as notícias nos jornais
É melhor mesmo que não venhas mais
à minha janela
sorrir dos meus ombros caídos

É melhor que não volte nunca mais
que ninguém bata à porta...
...Foi preciso desligar-se de tudo

Foi mesmo necessário morrer assim
debochando dos que ainda insistem em viver
É sempre melhor me esquecer...